Música de Amor do dia

03/11/2009 por Maria Fernanda

Porque só as músicas de amor valem a pena, sempre. Link da Pipilotti Rist

Texto Velho

Esse texto é antigo, do meu finado blog uol. Publicado  novamente a pedido do próprio Bob.

Momento Antropológico – Como ser surreal ao dispensar um xaveco

Depois de muito titubear e pesar os prós e os contras, finalmente me demiti. Enquanto uma parte de mim sente que saiu um peso do coração, outra diz: E agora, sua louca, o que será? Assim passei o fim de semana, sem ânimo para sair, em deliberação interna.

No sábado, fui ao aniversário de um amigo, carinhosamente apelidado de Vovô Garoto. Fiquei lá na mesa extensa da Merça, nosso bar favorito. Bebia minha água com limão, um novo drink que adotei. Não falava nada porque não sabia o que dizer. Estava absorta. Encontrei um ex-namorado que não via há tempos, e ele me dizia: – Pensei em você hoje! Você é uma entidade! Uma entidade!- enfático. E me falava de física quântica, em rodeios, e eu não entendia o porquê de nada daquilo, e onde ele queria chegar. Aquela coisa da entidade… Ouvia uma conversa aqui e outra lá. Respondia monossilabicamente, pensando no fim de semana passado que perdi, da virada cultural. Creio que fui orientada espiritualmente a não ir. As palavras que ouvi sobre o evento foram: periclitante, insustentável, impraticável, mundo bizarro, turba enfurecida, Gladiators cancelado, embuste, tumulto, guerra, liquidação de calçados Dic… Eu não prestava atenção em nada e pensava em mil assuntos, de forma que todos eram umas professoras do Charlie Brown.

O amigo que sentava ao meu lado estava em apuros. Uma garota em estado avançado de embriaguez investia no rapaz com um descaro admirável. Num momento em que ele se levantou, ela chegou a se abraçar à coxa do indivíduo, que me olhou com cara de pânico. Parece que Bob, o amigo, não rolaria na grama com ela, e além do mais, ela estava emborrachadíssima. Comecei a ouvir a conversa como quem está alheia. Era uma mesa longa e ninguém se comunicava direito. E então ouvi a desculpa masculina mas irrecusável e escabrosa dos últimos tempos. Bob, na iminência de um ataque, falava para a garota, enquanto beliscava umas castanhas num pratinho:

-Sabe o que é? Estou com um problema de canal… O dente fica meio solto, daí às vezes entra uma comida. E às vezes ela fica lá, no buraco do dente, por sabe-se lá quanto tempo, talvez um dia inteiro… – Falava isso e ao mesmo tempo mastigava e enfiava um dedo na boca, indicando o local, como se estivesse mostrando a um dentista. Pegou um palitinho de dente, e ainda acrescentou – Acho que estamos num timing errado.

Uh! Esperei uns dois minutos para não dar na cara e só depois ri. Foi irresistível e acabei rindo meio alto. Alguns me encararam com curiosidade.

Como sei que o pior da embriaguez é a ressaca moral, fiquei na minha. Não queria constrangê-la de forma alguma. Aquela ousadia feminina me fascinava, e  o papo do canal então! Considerei até a possibilidade de ter vivido uma alucinação auditiva.

Não durei muito no bar. Fui embora ainda reflexiva, cheguei em casa e tive uma bela noite de insônia que durou até as 11 da manhã de hoje. Fiquei pensando no que fazer daqui pra frente, agora que não tenho mais um emprego chatíssimo, nos freelas que nunca se sabe, naquele rapaz blasé pouco merecedor da minha atenção, nos enigmas da vida: de onde viemos, pra onde vamos? Basicamente, pensando na morte da bezerra. Percebi que o emprego era um porre, assim como o eram alguns freelas, assim como o rapaz era apenas mais um blasé, e que nenhuma dessas questões (exceto De onde viemos e pra onde vamos) era digna de atenção. O que me intrigava mesmo era: Será que garota venceu a resistência e o bafo hipotético de Bob?

Tudo é possível.  Cenas do próximo capítulo….

A vida é uma caixinha de ficções

20/10/2009 por Maria Fernanda

Neves, operador de telemarketing, acabara de constituir família e ter o primeiro filho, naquela época com dois meses. As coisas que Neves mais abominava eram meia furada, gerundismo (ironia de sua profissão) e o nome Neves. O que aconteceria se ele morresse na rua e  uma de suas meias estivesse furada, com furo no dedão? Seria humilhante, apesar de estar morto. O que as pessoas iriam dizer? E por que, por mais que ele evitasse revelar seu detestado sobrenome, sempre conseguiam descobrí-lo? E por que, e o que era pior, começavam a chamá-lo de Neves assim que obtinham essa informação? Desde cedo lutou para ser um homem convencional, mas as coisas não são bem assim, a vida não é nada convencional. E Neves era um tiozinho jovem.

Ele e a esposa estavam entocados em casa desde o nascimento do filho e ambos queriam espairecer ao ar livre e ter algum contato social. Era domingo e resolveram ir ao parque para encontrar amigos, beber cerveja, fumar maconha, ler os classificados de imóveis e rir à toa. Riram bastante antes que a vida risse de suas caras de forma bizarra naquele mesmo ensolarado e fatídico dia. As 18h os seguranças já apitavam e os quero-queros esperneavam: o parque estava para fechar. Neves e seu séquito caminhavam em direção à saída, quando este sentiu um forte apelo da natureza e teve de ir ao toilette.

A esposa, o filho e os amigos aguardavam fora do banheiro. Todos olhavam encantados a criança, e o clima era agradabilíssimo, de um dia feliz.  No princípio foi engraçado. Passados 10 minutos começaram as piadinhas sobre a demora no banheiro: Número 2? Foi comprar cigarro para nunca mais voltar?

Mas quando decorridos 30 minutos desde a entrada na casinha, o clima já estava tenso, escurecia, o bebê chorava e as pessoas começavam a se preocupar.  O segurança do parque ainda verificou o interior do banheiro masculino antes de trancar o recinto à chave: não havia ninguém lá. A esposa com o filho e os amigos foram  até a entrada do parque e comunicaram o sumiço. Estavam mudos, perplexos e surreais. Toda a alegria eufórica do dia de sol e das piadinhas havia se transformado numa sensação de terror esdrúxulo.  Os seguranças abriram novamente o banheiro para saber se ele desmaiou, ou sei lá, se alguém teria pisado na cara dele. Ninguém queria pensar em violência mas àquela hora a coisa estava difícil.

- Ele deve ter ido no mato – disse o segurança sarcástico e folgado.

Foi rechaçado em sua teoria por quatro testemunhas, que o viram entrar no recinto com os próprios olhos que esta terra ainda há de comer. A situação da esposa era periclitante ao extremo.

-O que direi ao meu filho, às pessoas, à sociedade? Que meu marido foi ao banheiro e nunca mais voltou?! – só pensava nisso, incomodada e confusa por esta situação tão sem pé nem cabeça – O que as pessoas vão dizer, meu Deus??

Naquele dia, assim que entrou em um dos compartimentos do banheiro, Neves passou instantaneamente por um portal (como em Caverna do Dragão) e nunca mais voltou.

Música do dia

25/09/2009 por Maria Fernanda

Música do dia

17/09/2009 por Maria Fernanda

O clima volta, o Sol brilha e o Universo conspira por todos. É só sair pela rua e sentir o vento, que traz a sensação de que qualquer coisa pode acontecer…

Música do dia

09/09/2009 por Maria Fernanda

Todo verde

Foi tudo muito rápido

05/09/2009 por Maria Fernanda

Quem é homem e não souber lidar bem com esses assuntos que me perdoe, mas mulher vai uma vez por ano ao ginecologista, e é mesmo aquela coisa constrangedora e tudo o mais. Vou falar aqui porque minha consulta me fez confrontar uma situação que há muito eu precisava resolver, o tabagismo descontrolado. Tenho a sorte porém de ter como médico uma criatura interessantíssima. Trata-se de um senhor com seus quase 70 anos, de cabelos acaju e vocabulário muito chulo. Ele é ótimo, um ser sábio, o comportamento é o oposto do ginecologista imaginado em O Casamento, um São Francisco com luvas cirúrgicas (Todos podem ser obscenos, menos o ginecologista). Falou mal do médico que foi preso recentemente (isso sim algo obsceno), perguntou sobre a vida, olhou os meus exames e disse:

-Você está ótima minha filha, está tudo certo aqui, seus exames todos ok, você está bonita, está gostosa, engordou um pouco, continue assim, etc. Está namorando?

-Olha, Dr, desde que me separei ainda nada…

-Mas rola pelo menos alguma fgts (foda garantida toda semana), ou uma rapidinha as vezes. Nem uma foda mal dada? – ele utiliza mesmo um vocabulário rústico.

-Ah sim, claro e  aleluia…

-Você está ótima, feliz, não precisa de muita coisa. Só o que você precisa é parar de fumar.

E então me falou da tática que ele utilizou há exatos 25 anos atrás, naquele mesmo dia em que conversamos. Era sincrônico e eu já queria mesmo parar.  E vi que fazia muito sentido, muito.

- Marque uma data que seja significativa pra você. E diga a todas as pessoas, todas, que você vai parar nesse dia. Comprometa-se consigo mesma, mas adicione o ingrediente vergonha alheia caso voltar, ou pior, se não parar.  E tenha sempre um maço à disposição.

Ele tem razão. Se você não tiver cigarros e avistar pessoas fumando, achará que aquilo é uma especiaria rara. Outra razão para isso é que a melhor resistência é adquirida em face da tentação. Coisa de gafanhotos. E então pensei numa data e a princípio não achei nada demais. Então lembrei que tive um sonho que não consegui entender direito: eu passava a pé numa rua chamada 2 de agosto, observando a placa da rua.  Esse sonho me chamou a atenção e então procurei no Google, mas não achei nada de significativo sobre a data.  Só que já era dia 26 de agosto e eu tinha que ser rápida, afinal já me sentia culpada toda vez que acendia um cigarro. Acendia feliz, mas no meio não sabia mais porque tinha feito aquilo. Marquei para 2 de setembro, como referência do 2 de agosto no afã da justificativa simbólica. Tenho certeza que eu fumava apenas com o intuito de me opor à lei anti-fumo. Durante 7 dias fumei bem. Fumei até o meu último segundo de fumante além da linha amarela da Mercearia São Pedro,  antes da meia-noite do dia 01 de setembro.

Não sinto falta e estou de muito bom humor. Os efeitos que sinto agora são : agitação ostensiva e, ao contrário do imaginei, um pouco de falta de apetite. Fora isso, tudo está ótimo e digo mais: É fácil parar, acredite. O sono anda meio estranho. Na hora de dormir tenho demorado um pouco mais porque fico distraída com o canto dos pássaros. Eu gosto de canto dos passáros, que fique claro, mas eles têm começado muito cedo. Os sabiás  estão os mais descontrolados. Começam a cantar umas 2h da manhã e a impressão é que fiquei a noite inteira na tentativa de dormir. Outra coisa é que esses bichos roubam a comida do cachorro,  estão enormes e hiperativos. Outro dia tive que pegar um que invadiu a casa em busca da ração canina na área de serviço. Ele era gordo, pesado e não relutou depois de esvoaçar e bater pelas paredes. Fiquei impressionada com as dimensões do bicho, uma galinha urbana.

Música da semana

Sei que é o mais puro lugar comum, que este video está por toda parte, etc, mas considere assistí-lo. No começo me recusei a vê-lo na íntegra, afinal são 5:30 minutos da mais pura vergonha alheia. Nem cheguei à metade, achei que a questão era só a voz bêbada, o ser inteiro bêbado, a desafinação horrenda. E então, depois da insistência de alguns amigos assisti até o fim.

Quando você pensa que já ouviu o bastante, que já viu suficiente constrangimento dos presentes,  que os aplausos vão estancar aquilo tudo, aVanusa segura na mão da pátria amada e vai! Reparem na pronúncia da palavra bérço.  É sério, a maioria das pessoas quer desistir antes da metade, mas insista. Foi  uma estranha aventura ouvir o hino Vanuso-Brasileiro até o fim.

Música do dia

Meus amigos têm memória musical impressionante, o que muito me diverte. Essa é demais, me lembra alguma novela que não consigo lembrar. rsrs

É nesse vai e vem que a gente se dá bem, que a gente se atrapalha.

Música do dia

04/09/2009 por Maria Fernanda

Música incrível do dia

02/09/2009 por Maria Fernanda

Acabo de descobrir esse clipe e estou encantada. Versão original desta música.

Lindo!

Música do dia

31/08/2009 por Maria Fernanda

Oráculo – perguntas recentes

27/08/2009 por Maria Fernanda

Uma vez publiquei aqui um texto sobre os termos de busca que acabam levando ao meu blog antigo. Na verdade conservo-o em estado vegetativo só para ver estas pérolas. Aqui mesmo, no WordPress, dá pra saber quais os termos de busca que levam à pagina. Comecei a colecioná-los e publicarei sempre que tiver alguns interessantes. São dúvidas, afirmações e reflexões surpreendentes, muitas vezes incompreensíveis. Atentai para os mais recentes:

Simpatia do jiló, simpatias com jiló e até simpatias do giló – Esta simpatia serve pra que afinal? Muitíssimo procurada esta prática

Loucura não é uma simples doença como nos querem fazer acreditar, é muito mais do que isso. é um estado de espirito – Acho normal…

som da risada do pai mei – Ótimo esse

o que quer dizer sonhar q está passando baba de quiabo nio corpo – A hora do pesadelo

schurumellas

posyçoes de sexo – graphias byzarras

filme padre e camponesa fornicação – sexo campestre, uma coisa ao mesmo tempo bucólica e episcopal

figuras de ilusão idiótica – Talvez o teste de Rorschach

Depois de tudo que passou, de tudo que foi sentido e tudo que foi movido… Sinto que nada mudou, os móveis ainda são os mesmos, e os defeitos, imensuráveis. – Poético, mas meio Adriana Calcanhoto

chulos xavecos

catota de mulher – Esse foi foda. Teve outro com a seguinte (e chocante) afirmação: Eu como catota de nariz. Aff

gafanhoto sincronicidade – Algo como: relações de significado no espaço-tempo, do ponto de vista de um aprendiz de kung-fu

Músicas do dia