Estréia do solo Parto

14/09/2010

Dia 18 de Setembro é a estréia do solo Parto, com a bailarina Tatiana Tardioli e a violoncelista Tania Mello Neiva,  com direção de Patrícia Werneck e trilha sonora original composta por Valério Fiel da Costa e Tania Mello Neiva.

Um espetáculo que investiga os sentimentos, memórias e impressões vividas durante o rito de passagem da maternidade.

Tatiana Tardioli é bailarina e desenvolve trabalhos de dança para gestantes e mães com bebês. Abaixo, o link de seu blog:

Dança Materna

Reciclagem de posts importantes

10/02/2010

Texto anônimo tirado do livro Futuro Proibido, de suposta autoria de Hakim Bey. Tive de editá-lo porque é muito extenso para um blog. Recomendo o conto e o livro, da Editora Conrad.

Visite Port Watson

Geografia e Descrição Física

A ilha de Sonsorol, no Pacífico, um vulcão extinto cercado por recifes de coral, situa-se a 5 graus acima do Equador e a 132 graus de longitude, cerca de 650 km ao leste do extremo sudeste das Filipinas e 480 km ao norte do Estreito de Dampier, na Nova Guiné. Ela possui aproximadamente 16 km de diâmetro e uma área de cerca de 145 km².

O clima é típico da região: temperaturas balsâmicas e constantes (28° a 33° o ano todo), eventuais tufões violentos, monções de setembro a fevereiro, brisa do mar ao longo da costa, floresta tropical úmida e abafada nas encostas mais baixas do Monte sSonsorol (especialmente densa na parte norte da ilha, exposta aos ventos alísios). Próximo ao cume o tempo é quase permanentemente nublado, fresco e nebuloso, e a selva se estreita em um “floresta de nuvem” – musgos, pequenas árvores envoltas em musgos, hepáticas e orquídeas epífitas. Sonsorol possui água fresca em abundância, incluindo cachoeiras nos morros até o pequeno rio, Garuda.

Vegetação: fartura e variedade típica das regiões tropicais, incluindo muitas espécies de orquídeas e uma pletora de outras flores e frutas tropicais. Antigamente, copra, taro, cana-de-açúcar e abacaxi eram plantados na região de savana do sudoeste. As plantações, agora abandonadas, nunca mais foram cultivadas, com exceção de alguns pomares de coco reservados para o consumo local (todas as pares da planta são usadas, em culinária, construções, etc.).A fauna nativa é escassa, na sua maior parte limitada a pássaros e insetos (que podem vir a ser irritantes). Porcos, galinhas, cabras e outras espécies européias foram incorporadas no século XVII. A pesca é espetacular, e oferece tanto a dieta básica quanto uma boa oportunidade para atividades esportivas.

De forma quase circular, e sem nenhuma baía ou braço de mar decente, Sonsorol a principio pareceria estrategicamente inadequada para a sua antiga função de encravamento pirata. Contudo, os recifes de coral que cercam a ilha formam uma espécie de lagoa, na qual os navios podem ficar ancorados com bastante segurança, mesmo com mau tempo.

Como Chegar Lá

Sonsorol continua sendo uma das ilhas mais inacessíveis em toda a área. Nenhuma linha aérea comercial pousa lá. Navios cargueiros levam carga para Sonsorol de Mindanao, Java, Taiwan, Hong Kong e outros portos.

Port Watson é hoje o único porto de entrada para Sonsorol, e não existe ali nenhuma Autoridade de Alfândega e Imigração. No entanto ninguém deve esperar passar despercebido em uma cidade tão pequena. Qualquer um que fique mais de um mês provavelmente será solicitado com educação a requerer residência ou então ir embora (ver Como se Tornar um Morador).

Nem Port Watson nem a republica possuem policia, portanto os moradores tendem a ficar atentos para problemas e se responsabilizam por solucioná-los. Visitantes hostis, insultuosos ou estrepitosos costumam apanhar de membros do comitê de vigilância ou da Milícia do Povo, e são banidos no próximo navio de partida. Geralmente os visitantes são bem vindos, e os habitantes amigáveis até em excesso.

Historia da Independência

Os habitantes aboriginais, de ancestrais malaios e polinésios miscigenados, podem não ter chegado antes do s[éculo XIV; se eles encontraram e absorveram algum grupo mais antigo, não se sabe. Indícios de suas línguas sobrevivem em nomes de lugares, terminologias de artes e ofícios, etc, ainda que o atual dialeto consista em uma mistura perturbadora de linguagem indonésia, sulauês, espanhola, holandesa e inglesa. Tudo o que resta do período pré-histórico, ou pré-Moro é uma enigmática ruína perto do topo de uma cachoeira.

Em meados do século XVII, Sonsorol foi invadida por piratas de Sulu, que se autodenominavam Moros. Seu almirante semi-lendário, o sultão Ilanum Moro, estabeleceu-se com alguns de seus seguidores.

O islamismo foi adaptado de uma forma bastante branda pelos Moros de Sonsorol.

Infelizmente nenhum vestígio arquitetural desta “Época de Ouro” sobreviveu à invasão e à conquista pelas forças espanholas, sob o comando do governador das Filipinas, Narciso Clavería y Zaldua, em 1850. Os sultões de Sonsorol foram praticamente os últimos piratas Moros a serem dominados, e conquistadores impuseram-lhes um regime colonial destrutivo e predatório, incluindo converção forçada e completa escravidão.

Em 1867, porém, os espanhóis já haviam perdido o interesse pela ilha, que não produzia nada além de copra e desgosto. Os governadores holandeses da Indonésia anexaram Sonsorol ao seu império após uma única batalha superficial.

A influencia holandesa é ainda forte em Sonsorol. Quase não há famílias n ilha que não tenham sangue europeu. Palavras holandesas sobrevivem no dialeto.

Naquele período, a aristocracia Mora retrocedeu a um tipo de islamismo brando. Aos sultões foram concedidos títulos de cortesia, mas eles permaneceram sem poder e sem dinheiro.

Em 1907, o sultão de Sonsorol, Pak Harjanto Abdul Rahman Moro I, encenou um trágico levante contra as forças coloniais. O sultão e outros conspiradores foram executados e o título abolido. A ilha, então, afundou em depressão sonolência, indiferença e obscuridade.

Em 1942, os japoneses fizeram uma conquista fácil na ilha, mandando europeus para campos de prisão em Java.

Os novos chefes supremos japoneses comportavam-se de maneira severa, quase sádica, e um sentimento antinipônico sobrevive até hoje. Em 1945, um navio tripulado por forças navais neozelandesas e australianas chegou para libertar a ilha. Os japoneses planejaram uma resistência suicida, e a população nativa, liderada pelo sultão Pak Harjanto III juntou-se à batalha pela liberdade no dia 20 de julho.

O sultão, herói da libertação, começou a agitar para a independência. Sincero admirador da democracia ocidental, ele acreditava que a liberdade política resolveria os problemas da ilha. Em 1962, o Protetorado sob comando da Austrália e Nova Zelândia permitiu um plebiscito e escolheu independência sob uma Monarquia Constitucional.

História desde a Independência

Em 1967, o sultão enviou seu jovem herdeiro, Pak Harjanto Abdul-Rhaman IV, para a faculdade nos Estados Unidos. O Príncipe Herdeiro obteve uma bolsa de estudos na Universidade Berkeley, e se formou em economia.

Na Califórnia, ele se sentiu atraído pelo “Movimento” – direitos civis, antiguerra, liberdade de expressão, consciência ecológica, Haight-Ashbury, etc. – e logo se viu convencido pela filosofia anarquista libertária. Na faculdade conheceu Travis B. O’Conner, descendente e herdeiro de uma família do ramo do petróleo em Oklahoma/Texas. O’Conner ficou fascinado com as historias de Sonsorol, e juntos os jovens amigos maquinavam e sonhavam.

Eles raciocinavam da seguinte forma: quase todas as utopias clássicas – da República de Platão à Fazenda Brook – envolvem um alto grau de abstração. A implementação de idéias abstratas na sociedade requer um alto nível de controle autoritário correspondente. Como resultado, a maioria das utopias em prática se revelou opressiva e paralisante – “planejamento social” pareceria uma ofensa por definição contra o “espírito humano”. O’Conner e o sultão desejavam uma utopia anarquista, sem autoridade – e mesmo assim eles perceberam que a utopia é impossível sem a abstração.

A maior e mais opressiva de todas as abstrações modernas são as finanças, o negócio bancário, a criação da riqueza a partir do nada, da pura imaginação. Ora, os piratas do passado viviam praticamente sem autoridade e eles criaram “utopias” sem leis ou encraves financiados por riquezas roubadas. Os dois jovens amigos decidiram que, uma vez que Sonsorol não poderia produzir nenhuma riqueza de verdade, eles deveriam seguir o procedimento dos piratas e roubar a energia que precisavam para financiar e fundar a sua utopia. O ladrão de bancos rouba bancos porque ali é que está o dinheiro – mas o banqueiro rouba bancos e até os seus próprios depositantes com total impunidade legal. Os sonhadores da Califórnia decidiram entrar nos negócios bancários.

Em 1979, o velho sultão morreu e seu filho o sucedeu no trono de uma ilha esquecida e arruinada. De imediato, ele e O’Conner começaram a pôr seu plano em prática. Começaram com a criação de um banco mercantil chamado Associação de Poupança e Empréstimos Ilanum Moro (ironicamente batizado com o nome do pirata fundador da dinastia). O Banco, utilizando-se das relações e do capital da família O’Conner, mudou-se para Port Watson e deu início as operações com proteção de regulamentação fiscal: subsidiários fantasmas, registros livres de impostos, “intermediários” e “gráficos estranhos”, especulação da moeda, atividade secreta intermediária para sociedades chinesas em terra, lavagem de fundos para certos “homens de negócio” chineses transoceânicos, contas numeradas e assim por diante. Port Watson foi planejado para usufruir uma liberdade quase total da lei, com o banco praticando uma forma nova e invisível de pirataria. Uma vez, para sua eficácia, ela poderia talvez ser chamada de Pirataria Espacial!

O Banco de Sonsorol possui poucos “bens reais”, poucos que podem ser saqueados – sua riqueza existe em grande parte em memórias de computador. Suas maquinações discretas são toleradas por interesses bancários internacionais; afinal de contas, uma conta cega ou algo do tipo é sempre útil, de tempos em tempos, até mesmo nos círculos financeiros mais respeitáveis. Quase da noite para o dia (1976 – 1980), Sonsorol se tornou moderadamente próspera.

Todo cidadão de Sonsorol e morador de Port Watson, criança, mulher e homem, tornou-se um acionista eqüitativo no Banco. Todos – inclusive o sultão e O’Conner – possuem exatamente uma ação dos lucros. Em 1980, cerca de mil pessoas em Port Watson e duas mil em Sonsorol recebiam, cada uma, um dividendo anual de cerca de US$ 4.000. Em 1985, a população total chegou a nove mil e o dividendo a um pouco mais de US$ 5.000 – praticamente uma renda garantida.

Além da criação de Port Watson e do Banco, muito poucas mudanças foram feitas na estrutura legal de Sonsorol, que continua sendo (ao menos no papel) uma república de estilo anglo-americano com legislação, exército, polícia, educação compulsória, impostos e assim por diante. Nenhum poder estrangeiro pode acusar a ilha de “anarquia” – e em todo caso, o Governo Trabalhista da Nova Zelândia assinou recentemente um tratado de defesa, que oferece proteção e reconhecimento internacional para a república. Em 1979 o sultão abdicou de todas as funções executivas e se reduziu a uma figura cerimonial. Como ele colocou, “eu alcancei o estado do Rei-Sábio taoísta descrito no Chuang-Tzu: eu me sento em meu trono voltado para uma direção propícia – e não faço absolutamente nada”.

Na prática, no entanto, as funções da república caíram totalmente em desuso. Nenhum exército ou polícia existe porque ninguém se alista neles. Em vez disso, uma milícia do povo voluntária trabalha em emergências (extremamente raras até hoje). Impostos não são coletados. A legislação não aprova mais nenhuma lei nova (embora se reúna de tempos em tempos para debater projetos e questões filosóficas). As escolas existem, mas a freqüência é voluntária. Ninguém precisa trabalhar, e muitos consideram sua cota de ação suficiente para sustentar vidas de um dolce far niente polinésio. Qualquer pessoa que tenha objeções quanto à “monarquia minarquista” da república pode se mudar para Port Watson, onde não existe absolutamente nenhuma lei.

O “verdadeiro trabalho” de Sonsorol, negócios bancários, pode ser conduzido por um punhado de hackers de computador e negociantes astutos. Contudo, o sultão e O’Conner queriam ver Port Watson se tornar uma comunidade libertária genuína, e estimularam a imigração oferecendo empréstimos sem juros e até mesmo subvenções integrais a pessoas prestativas e solidárias. Diversas organizações coletivistas foram fundadas: o Centro de Energia (ver), uma cooperativa para energia alternativa, tecnologia apropriada e agricultura experimental. As Academias são voltadas para educação e pesquisa – escolas para crianças e filosofia natural de todos os tipos.

Pede-se aos novos colonizadores em Port Watson apenas para concordar em viver de acordo com este anti-sistema, para doarem um dia por mês para projetos comunitários e para se absterem de comportamentos coercivos ou opressivos.

Este acordo é chamado de “assinar os Artigos”, de acordo com o velho costume entre os bucaneiros e corsários. De fato, a forma de governo em Port Watson poderia ser chamada de Pacto de Piratas – ou talvez comunismo lassez-faire – ou anarcomonarquia (uma vez que cada ser humano é considerado um senhor livre ou agente soberano).

A terra só é possuída quando é ocupada e usada. Uma comunidade típica pode consistir de uma única construção sem terreno, com três ou quatro membros (talvez até um núcleo familiar), ou uma cooperativa do tamanho de uma fazenda, com 12 a 25 membros e várias casas. A independência econômica torna a vida solitária praticável, mas um grupo pode juntar recursos, permitir-se uma moradia melhor e dividir luxos. Quase todas as pessoas pertencem a alguma forma de cooperativa, associação ou irmandade, de um clube de jantar informal até comunidades de utopias ideológicas rigorosas (a maioria nas montanhas ou fora da cidade) “Falanstérios” ou grupos de afinidade erótica são bastante comuns, assim como corporações de artesanato e cultos esotéricos (ver Atividades Culturais/Espirituais).

Palavras do sultão:

“Ninguém que ame a liberdade pode ouvir falar de Sonsorol sem saudades, inveja ou nostalgia de alguma coisa desconhecida ou desejada… Sonsorol poderia ser criada em qualquer lugar – nada cria empecilhos a não ser a consciência e o poder inflexível daqueles governantes que se alimentam de consciências falsas como vampiros. Nós convocamos uma rede de Port Watsons a envolverem a Terra: um, dois, muitos, um número infinito de Port Watsons! Deixe que aqueles que nos invejam transmutem sua frustração em raiva e insurreição, em uma determinação para usufruir a utopia agora, e não em alguma terra do nunca depois da morte ou da Revolução. Nós alcançamos aqueles que têm saudades de nós no terceiro mundo dominado pela pobreza, no segundo mundo asfixiado pela ideologia e no ocidente despedaçado pelas ilusões. E nós sussurramos a milhares de quilômetros de distância para dizermos a eles:“Não percam a esperança. Port Watson existe dentro de vocês, e vocês podem torná-lo real.”

Música de Amor do dia

03/11/2009

Porque só as músicas de amor valem a pena, sempre. Link da Pipilotti Rist

Texto Velho

Esse texto é antigo, do meu finado blog uol. Publicado  novamente a pedido do próprio Bob.

Momento Antropológico – Como ser surreal ao dispensar um xaveco

Depois de muito titubear e pesar os prós e os contras, finalmente me demiti. Enquanto uma parte de mim sente que saiu um peso do coração, outra diz: E agora, sua louca, o que será? Assim passei o fim de semana, sem ânimo para sair, em deliberação interna.

No sábado, fui ao aniversário de um amigo, carinhosamente apelidado de Vovô Garoto. Fiquei lá na mesa extensa da Merça, nosso bar favorito. Bebia minha água com limão, um novo drink que adotei. Não falava nada porque não sabia o que dizer. Estava absorta. Encontrei um ex-namorado que não via há tempos, e ele me dizia: – Pensei em você hoje! Você é uma entidade! Uma entidade!- enfático. E me falava de física quântica, em rodeios, e eu não entendia o porquê de nada daquilo, e onde ele queria chegar. Aquela coisa da entidade… Ouvia uma conversa aqui e outra lá. Respondia monossilabicamente, pensando no fim de semana passado que perdi, da virada cultural. Creio que fui orientada espiritualmente a não ir. As palavras que ouvi sobre o evento foram: periclitante, insustentável, impraticável, mundo bizarro, turba enfurecida, Gladiators cancelado, embuste, tumulto, guerra, liquidação de calçados Dic… Eu não prestava atenção em nada e pensava em mil assuntos, de forma que todos eram umas professoras do Charlie Brown.

O amigo que sentava ao meu lado estava em apuros. Uma garota em estado avançado de embriaguez investia no rapaz com um descaro admirável. Num momento em que ele se levantou, ela chegou a se abraçar à coxa do indivíduo, que me olhou com cara de pânico. Parece que Bob, o amigo, não rolaria na grama com ela, e além do mais, ela estava emborrachadíssima. Comecei a ouvir a conversa como quem está alheia. Era uma mesa longa e ninguém se comunicava direito. E então ouvi a desculpa masculina mas irrecusável e escabrosa dos últimos tempos. Bob, na iminência de um ataque, falava para a garota, enquanto beliscava umas castanhas num pratinho:

-Sabe o que é? Estou com um problema de canal… O dente fica meio solto, daí às vezes entra uma comida. E às vezes ela fica lá, no buraco do dente, por sabe-se lá quanto tempo, talvez um dia inteiro… – Falava isso e ao mesmo tempo mastigava e enfiava um dedo na boca, indicando o local, como se estivesse mostrando a um dentista. Pegou um palitinho de dente, e ainda acrescentou – Acho que estamos num timing errado.

Uh! Esperei uns dois minutos para não dar na cara e só depois ri. Foi irresistível e acabei rindo meio alto. Alguns me encararam com curiosidade.

Como sei que o pior da embriaguez é a ressaca moral, fiquei na minha. Não queria constrangê-la de forma alguma. Aquela ousadia feminina me fascinava, e  o papo do canal então! Considerei até a possibilidade de ter vivido uma alucinação auditiva.

Não durei muito no bar. Fui embora ainda reflexiva, cheguei em casa e tive uma bela noite de insônia que durou até as 11 da manhã de hoje. Fiquei pensando no que fazer daqui pra frente, agora que não tenho mais um emprego chatíssimo, nos freelas que nunca se sabe, naquele rapaz blasé pouco merecedor da minha atenção, nos enigmas da vida: de onde viemos, pra onde vamos? Basicamente, pensando na morte da bezerra. Percebi que o emprego era um porre, assim como o eram alguns freelas, assim como o rapaz era apenas mais um blasé, e que nenhuma dessas questões (exceto De onde viemos e pra onde vamos) era digna de atenção. O que me intrigava mesmo era: Será que garota venceu a resistência e o bafo hipotético de Bob?

Tudo é possível.  Cenas do próximo capítulo….

A vida é uma caixinha de ficções

20/10/2009

Neves, operador de telemarketing, acabara de constituir família e ter o primeiro filho, naquela época com dois meses. As coisas que Neves mais abominava eram meia furada, gerundismo (ironia de sua profissão) e o nome Neves. O que aconteceria se ele morresse na rua e  uma de suas meias estivesse furada, com furo no dedão? Seria humilhante, apesar de estar morto. O que as pessoas iriam dizer? E por que, por mais que ele evitasse revelar seu detestado sobrenome, sempre conseguiam descobrí-lo? E por que, e o que era pior, começavam a chamá-lo de Neves assim que obtinham essa informação? Desde cedo lutou para ser um homem convencional, mas as coisas não são bem assim, a vida não é nada convencional. E Neves era um tiozinho jovem.

Ele e a esposa estavam entocados em casa desde o nascimento do filho e ambos queriam espairecer ao ar livre e ter algum contato social. Era domingo e resolveram ir ao parque para encontrar amigos, beber cerveja, fumar maconha, ler os classificados de imóveis e rir à toa. Riram bastante antes que a vida risse de suas caras de forma bizarra naquele mesmo ensolarado e fatídico dia. As 18h os seguranças já apitavam e os quero-queros esperneavam: o parque estava para fechar. Neves e seu séquito caminhavam em direção à saída, quando este sentiu um forte apelo da natureza e teve de ir ao toilette.

A esposa, o filho e os amigos aguardavam fora do banheiro. Todos olhavam encantados a criança, e o clima era agradabilíssimo, de um dia feliz.  No princípio foi engraçado. Passados 10 minutos começaram as piadinhas sobre a demora no banheiro: Número 2? Foi comprar cigarro para nunca mais voltar?

Mas quando decorridos 30 minutos desde a entrada na casinha, o clima já estava tenso, escurecia, o bebê chorava e as pessoas começavam a se preocupar.  O segurança do parque ainda verificou o interior do banheiro masculino antes de trancar o recinto à chave: não havia ninguém lá. A esposa com o filho e os amigos foram  até a entrada do parque e comunicaram o sumiço. Estavam mudos, perplexos e surreais. Toda a alegria eufórica do dia de sol e das piadinhas havia se transformado numa sensação de terror esdrúxulo.  Os seguranças abriram novamente o banheiro para saber se ele desmaiou, ou sei lá, se alguém teria pisado na cara dele. Ninguém queria pensar em violência mas àquela hora a coisa estava difícil.

- Ele deve ter ido no mato – disse o segurança sarcástico e folgado.

Foi rechaçado em sua teoria por quatro testemunhas, que o viram entrar no recinto com os próprios olhos que esta terra ainda há de comer. A situação da esposa era periclitante ao extremo.

-O que direi ao meu filho, às pessoas, à sociedade? Que meu marido foi ao banheiro e nunca mais voltou?! – só pensava nisso, incomodada e confusa por esta situação tão sem pé nem cabeça – O que as pessoas vão dizer, meu Deus??

Naquele dia, assim que entrou em um dos compartimentos do banheiro, Neves passou instantaneamente por um portal (como em Caverna do Dragão) e nunca mais voltou.

Música do dia

25/09/2009

Música do dia

17/09/2009

O clima volta, o Sol brilha e o Universo conspira por todos. É só sair pela rua e sentir o vento, que traz a sensação de que qualquer coisa pode acontecer…

Música do dia

09/09/2009

Todo verde

Foi tudo muito rápido

05/09/2009

Quem é homem e não souber lidar bem com esses assuntos que me perdoe, mas mulher vai uma vez por ano ao ginecologista, e é mesmo aquela coisa constrangedora e tudo o mais. Vou falar aqui porque minha consulta me fez confrontar uma situação que há muito eu precisava resolver, o tabagismo descontrolado. Tenho a sorte porém de ter como médico uma criatura interessantíssima. Trata-se de um senhor com seus quase 70 anos, de cabelos acaju e vocabulário muito chulo. Ele é ótimo, um ser sábio, o comportamento é o oposto do ginecologista imaginado em O Casamento, um São Francisco com luvas cirúrgicas (Todos podem ser obscenos, menos o ginecologista). Falou mal do médico que foi preso recentemente (isso sim algo obsceno), perguntou sobre a vida, olhou os meus exames e disse:

-Você está ótima minha filha, está tudo certo aqui, seus exames todos ok, você está bonita, está gostosa, engordou um pouco, continue assim, etc. Está namorando?

-Olha, Dr, desde que me separei ainda nada…

-Mas rola pelo menos alguma fgts (foda garantida toda semana), ou uma rapidinha as vezes. Nem uma foda mal dada? – ele utiliza mesmo um vocabulário rústico.

-Ah sim, claro e  aleluia…

-Você está ótima, feliz, não precisa de muita coisa. Só o que você precisa é parar de fumar.

E então me falou da tática que ele utilizou há exatos 25 anos atrás, naquele mesmo dia em que conversamos. Era sincrônico e eu já queria mesmo parar.  E vi que fazia muito sentido, muito.

- Marque uma data que seja significativa pra você. E diga a todas as pessoas, todas, que você vai parar nesse dia. Comprometa-se consigo mesma, mas adicione o ingrediente vergonha alheia caso voltar, ou pior, se não parar.  E tenha sempre um maço à disposição.

Ele tem razão. Se você não tiver cigarros e avistar pessoas fumando, achará que aquilo é uma especiaria rara. Outra razão para isso é que a melhor resistência é adquirida em face da tentação. Coisa de gafanhotos. E então pensei numa data e a princípio não achei nada demais. Então lembrei que tive um sonho que não consegui entender direito: eu passava a pé numa rua chamada 2 de agosto, observando a placa da rua.  Esse sonho me chamou a atenção e então procurei no Google, mas não achei nada de significativo sobre a data.  Só que já era dia 26 de agosto e eu tinha que ser rápida, afinal já me sentia culpada toda vez que acendia um cigarro. Acendia feliz, mas no meio não sabia mais porque tinha feito aquilo. Marquei para 2 de setembro, como referência do 2 de agosto no afã da justificativa simbólica. Tenho certeza que eu fumava apenas com o intuito de me opor à lei anti-fumo. Durante 7 dias fumei bem. Fumei até o meu último segundo de fumante além da linha amarela da Mercearia São Pedro,  antes da meia-noite do dia 01 de setembro.

Não sinto falta e estou de muito bom humor. Os efeitos que sinto agora são : agitação ostensiva e, ao contrário do imaginei, um pouco de falta de apetite. Fora isso, tudo está ótimo e digo mais: É fácil parar, acredite. O sono anda meio estranho. Na hora de dormir tenho demorado um pouco mais porque fico distraída com o canto dos pássaros. Eu gosto de canto dos passáros, que fique claro, mas eles têm começado muito cedo. Os sabiás  estão os mais descontrolados. Começam a cantar umas 2h da manhã e a impressão é que fiquei a noite inteira na tentativa de dormir. Outra coisa é que esses bichos roubam a comida do cachorro,  estão enormes e hiperativos. Outro dia tive que pegar um que invadiu a casa em busca da ração canina na área de serviço. Ele era gordo, pesado e não relutou depois de esvoaçar e bater pelas paredes. Fiquei impressionada com as dimensões do bicho, uma galinha urbana.

Música da semana

Sei que é o mais puro lugar comum, que este video está por toda parte, etc, mas considere assistí-lo. No começo me recusei a vê-lo na íntegra, afinal são 5:30 minutos da mais pura vergonha alheia. Nem cheguei à metade, achei que a questão era só a voz bêbada, o ser inteiro bêbado, a desafinação horrenda. E então, depois da insistência de alguns amigos assisti até o fim.

Quando você pensa que já ouviu o bastante, que já viu suficiente constrangimento dos presentes,  que os aplausos vão estancar aquilo tudo, aVanusa segura na mão da pátria amada e vai! Reparem na pronúncia da palavra bérço.  É sério, a maioria das pessoas quer desistir antes da metade, mas insista. Foi  uma estranha aventura ouvir o hino Vanuso-Brasileiro até o fim.

Música do dia

Meus amigos têm memória musical impressionante, o que muito me diverte. Essa é demais, me lembra alguma novela que não consigo lembrar. rsrs

É nesse vai e vem que a gente se dá bem, que a gente se atrapalha.

Música do dia

04/09/2009

Música incrível do dia

02/09/2009

Acabo de descobrir esse clipe e estou encantada. Versão original desta música.

Lindo!


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